Tremor nas mãos é doença de Parkinson?

Postado em: 13.01.2016
Autor: Dr. Glauber Ferreira, médico neurologista na Clínica da Memória.

Autor: Dr. Glauber Ferreira, médico neurologista na Clínica da Memória.

 

Essa pergunta permeia o dia a dia de todo consultório dedicado ao tratamento de distúrbios do movimento. A resposta é: absolutamente não. Existem outras causas mais comuns de tremor. De fato, o tremor pode estar ausente em até 40% dos paciente com doença de Parkinson. Para discutirmos as causas de tremores, precisamos antes discutir algumas definições.
Um tremor é uma oscilação rítmica de uma parte do corpo. Pode ser das mãos, da cabeça, da mandíbula e até mesmo da voz. O tremor pode ser de alta frequência (muitas oscilações por segundo) ou de baixa frequência (poucas oscilações). O tremor pode ser de repouso, quando piora quando a parte do corpo está parada, ou de ação, quando acentua-se com o movimento. O tremor também é descrito por meio de sua amplitude, que significa o tamanho da oscilação daquela parte do corpo. Um tremor de baixa amplitude chega a ser quase imperceptível, enquanto um tremor de alta amplitude pode chegar a receber o termo de “tremor em batimento de asa”.
É importante saber observar e descrever as características de um tremor porque o diagnóstico da causa do tremor quase sempre se dá pela observação do médico, e não por meio de exames complementares.
A causa mais comum de tremor é o tremor essencial. Esse tremor é tem uma oscilação rápida (alta frequência) que surge no movimento (tremor de ação) com uma oscilação pequena (baixa amplitude).

 

As pessoas com esse tipo de tremor geralmente se queixam de derramar um copo de água ou xícara de café ou da qualidade de sua caligrafia. Alguns tem até assinaturas recusadas por conta do tremor na escrita. O tremor pode afetar também a cabeça e a voz, o que pode ser causa de constrangimento. Esse tipo de tremor pode ser hereditário e, embora possa ser bastante incômodo, não costuma evoluir para complicações mais sérias. O tremor de Parkinson é bem diferente do tremor essencial, mas na prática pode ser um desafio, pelo menos a princípio, separar essas duas condições. O tremor de Parkinson e um tremor lento (baixa frequência) que geralmente envolve o polegar e o dedo indicador, e pode parecer que a pessoa está rolando algo (como um pílula) entre esses dedos. O tremor de Parkinson oscila bastante (alta amplitude) e pode ser facilmente visível na maior parte dos casos. É mais presente no repouso, ou seja, quando o membro está parado e diminui com o movimento do membro . É importante dizer que o tremor isolado não é suficiente para o diagnóstico de Parkinson. É necessário a presença de outros sintomas como a lentidão, a rigidez e a alteração da marcha para se chegar a um veredito de uma doença de Parkinson. Conforme mencionado, exames complementares, como a Ressonância de crânio, são incapazes de detectar qualquer anormalidades nessas pessoas. O diagnóstico é feito pela combinação da história da doença com os sinais e sintomas observados.

parkison

Quando uma pessoa procura atendimento médico com doença de Parkinson, geralmente o tremor não é a maior de suas queixas. A lentidão, a perda de agilidade e as alterações na marcha geralmente são problemas maiores e mais incapacitantes. Cabe mencionar ainda que todos nós temos algum grau de tremor, chamado de tremor fisiológico. Ele geralmente não é visível porque oscila muito pouco (baixíssima amplitude) com uma alta frequência. Porém em situações de estresse ele pode ficar evidente e causar embaraço. Pode aparecer em alguém nervoso ao falar em público, ou atrapalhar o uso de instrumento musical de um artista durante uma apresentação ou fazer tremer a mira de um atleta olímpico tentando acertar um alvo distante com seu arco e flecha.

Algumas doenças, como o hipertireoidismo, e alguns medicamentos podem ser a causa de tremores. O médico neurologista é o especialista a ser consultado no caso de dúvidas. Em quase todos os casos existem boas alternativas de tratamento com bons resultados.