Superposição genética entre a doença de Alzheimer e dois fatores de risco para doenças cardiovasculares

Postado em: 19.05.2015

Equipe internacional de cientistas, liderados por pesquisadores da Universidade da Califórnia, da Escola de Medicina de San Diego, identificou uma superposição genética entre a doença de Alzheimer e dois fatores de risco para doenças cardiovasculares: altos níveis de proteína reativa C- inflamatória (CRP) e gorduras no plasma sanguíneo. Essas descobertas, baseadas em estudos envolvendo ampla associação de genomas com centenas de milhares de participantes, sugerem que dois fatores de risco cardiovascular exercem um papel na ocorrência da doença de Alzheimer. Há possibilidades que essa descoberta crie condições para avanços científicos que retardem a progressão da doença de Alzheimer.

Segundo o Dr. Paul Ridker, um dos coautores dessa pesquisa, “há muitos anos nós sabemos que elevadas concentrações de colesterol e altos níveis de inflamação estão associados com o aumento significativo no risco de ocorrência da doença de Alzheimer.” E completou: “O presente trabalho identificou sinais genéticos específicos que explicam uma parte dessa relação. Nós agora precisamos caracterizar a função desses sinais genéticos e ver se eles podem nos ajudar a elaborar testes para avaliar a inibição da inflamação como o possível método para o tratamento da doença de Alzheimer.”

Os pesquisadores usaram resumos estatísticos de estudos com ampla associação de genomas de mais de 200.000 pessoas, buscando identificar superposição em nucleotídeos simples com polimorfismos (SNPs), os quais estão associados com a doença de Alzheimer clinicamente diagnosticada e os fatores de risco cardiovascular (CRP), assim com os três componentes do colesterol total: HDL (lipoproteína de alta densidade); LDL (lipoproteína de baixa densidade); e triglicerídeos total (TG).  Os nucleotídeos simples com polimorfismos (SNPs) são fragmentos de sequências de DNA que comumente variam entre indivíduos da mesma população.

Os pesquisadores encontram até 50 vezes um aumento de nucleotídeos simples com polimorfismos (SNPs) para diferentes níveis de associação com proteína reativa C- inflamatória (CRP), lipoproteína de alta densidade); LDL (lipoproteína de baixa densidade); e triglicerídeos total (TG), ligados ao aumento dos riscos da ocorrência de doença de Alzheimer.

“Nossas observações indicam que um subconjunto de genes está envolvido com os níveis elevados de lipídeos de plasma e inflamação, o que também aumenta o risco para a ocorrência da doença de Alzheimer. Elevados níveis de lipídios no plasma sanguíneo e inflamação podem ser modificados com tratamentos, o que indica que pode ser possível identificar e tratar de forma terapêutica pessoas com elevado risco de desenvolver doenças cardiovasculares os quais estão também em risco de sofrer da doença de Alzheimer”, disse o dr. Rahul Desikan, o autor principal desse estudo.

Por conseguinte, essa pesquisa pode ter ramificações significativas. A manifestação tardia da doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, afetando 30 milhões de pessoas ao redor do mundo – um número que é esperado a quadruplicar nos próximos 40 anos. Os custos para a sociedade, considerando aqueles associados aos tratamentos médicos e os resultantes da perda de produtividade, são considerados astronômicos. Relatório de 2010 da Associação Mundial de Alzheimer estima um custo anual de $605 bilhões de dólares.

“Presentemente, não há nenhuma terapia capaz de modificar a doença de Alzheimer e muita atenção tem sido focalizada na prevenção e diagnóstico precoce”, afirmou o Dr. Ole Andreassen, coautor da pesquisa. E concluiu: “retardar a manifestação de demência, mesmo que somente por dois anos poderia potencialmente reduzir a prevalência da doença de Alzheimer em mais de 22 milhões de casos nas próximas quatro décadas, resultando em significativas reduções dos custos para as nações.

 

FONTE:

  1. S. Desikan, A. J. Schork, Y. Wang, W. K. Thompson, A. Dehghan, P. M. Ridker, D. I. Chasman, L. K. McEvoy, D. Holland, C.-H. Chen, D. S. Karow, J. B. Brewer, C. P. Hess, J. Williams, R. Sims, M. C. O’Donovan, S. H. Choi, J. C. Bis, M. A. Ikram, V. Gudnason, A. L. DeStefano, S. J. van der Lee, B. M. Psaty, C. M. van Duijn, L. Launer, S. Seshadri, M. A. Pericak-Vance, R. Mayeux, J. L. Haines, L. A. Farrer, J. Hardy, I. D. Ulstein, D. Aarsland, T. Fladby, L. R. White, S. B. Sando, A. Rongve, A. Witoelar, S. Djurovic, B. T. Hyman, J. Snaedal, S. Steinberg, H. Stefansson, K. Stefansson, G. D. Schellenberg, O. A. Andreassen, A. M. Dale. Polygenic Overlap Between C-Reactive Protein, Plasma Lipids and Alzheimer’s DiseaseCirculation, 2015; DOI:10.1161/CIRCULATIONAHA.115.015489