Suicídio entre idosos

Postado em: 14.09.2016

Autor: Dr. Guilherme Pimenta; Médico psiquiatra.

O suicídio é uma das maiores causas de mortalidade ao redor do mundo, segundo dados da OMS. Trata-se de uma epidemia silenciosa de dor e sofrimento que castiga a sociedade e que culmina no autoextermínio, sendo uma urgência médica pelo risco que o ato pode acarretar para o indivíduo. Terminar com a própria vida é algo contrário aos princípios evolucionistas mais básicos do ser humano e, porque não dizer, dos seres vivos. O comportamento suicida e autodestrutivo são responsáveis por 15% das emergências psiquiátricas.

As taxas mais altas ainda pertencem ao grupo dos idosos, principalmente em homens com 75 anos ou mais de idade.  Portanto, sua prevenção deve ser pautada no conhecimento dos fatores de risco e de proteção. As tentativas nessa população são com maior frequência planejadas e envolvem métodos com alta letalidade.

É um fenômeno complexo com envolvimento de fatores biológicos, psicológicos e socioculturais que interagem de forma dinâmica e peculiar em cada indivíduo, onde o que se considera ser “causa” de um ato contra a própria existência é apenas o elo final, perceptível, desse emaranhado de fatores.

 

Caracterizam-se como principais fatores de risco para suicídio em idosos:

– Depressão / Abuso de Álcool e Drogas;
– Doença terminal, especialmente quando associada à persistência de dor;
– Problemas econômicos;
– Perda recente de ente querido;
– Solidão / Viver sozinho;
– Perda da independência.

 

Depressão é o diagnóstico mais comumente associado, sendo menos comum o abuso de substâncias psicoativas e transtornos de personalidade. A desesperança faz com que o paciente não consiga ver alternativa para atenuar seu sofrimento, a não ser a morte. O estado psíquico de alguém prestes a cometer o suicídio é de uma dor emocional intolerável, vivenciada como uma sensação angustiante de estar preso em si mesmo, sem encontrar saída.

 

 

Famosos que cometeram suicídio: (da esquerda para direita) Van Gogh, Santos Dumont, Marilyn Monroe e Robin Williams

Famosos que cometeram suicídio: (da esquerda para direita) Van Gogh, Santos Dumont, Marilyn Monroe e Robin Williams

 

 

 

Existem algumas crenças errôneas em relação a este tema, tais como:

– As pessoas que falam em se matar raramente cometem e o mesmo ocorre sem aviso;
– O paciente que deseja morrer sente que não há mais volta;
– Perguntar a alguém sobre as suas intenções suicidas irá encorajá-lo a se matar;
– Indivíduos suicidas raramente procuram atendimento médico.

No entanto, o que podemos observar a respeito de tais mitos é que a maioria das pessoas que comete autoextermínio forneceu algum tipo de pista ou sinal de alerta de suas intenções, tendo 75% de tais indivíduos uma visita a um médico no mês anterior à tentativa de morte. Suicidas estão geralmente ambivalentes sobre morrer, podendo estar “tentando” viver desesperadamente, mas não conseguem ver alternativas para os seus problemas. Perguntar de forma interessada, reduz a ansiedade e pode até deter o comportamento suicida. Discutir os sentimentos suicidas também permite avaliar o risco.

É bastante difícil compreender todos os aspectos que mantem relação com o suicídio e apesar de todos os esforços alguns pacientes morrerão ao longo do tratamento. No entanto, a maior parte pode ser evitada, tendo o treinamento no reconhecimento de transtornos mentais papel fundamental na prevenção.