SETEMBRO AMARELO – PREVENÇÃO DO SUICÍDIO

Postado em: 08.10.2015
Dr. Hesley Landim é médico psiquiatra na Clínica da Memória

Autor: Dr. Hesley Landim é médico psiquiatra na Clínica da Memória.

Suicídio é um problema de saúde pública que pode ocorrer em qualquer faixa etária, provoca sofrimento nos familiares e pessoas próximas. Este assunto, muitas vezes ignorado inclusive por profissionais da saúde, é mais comum do que se imagina e, na maioria dos casos, poderia ser evitado com tratamento adequado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 90% dos casos os suicídios são preveníveis por estarem associados a patologias de ordem mental diagnosticáveis e tratáveis, principalmente a depressão. Ou seja, de cada dez casos de autoextermínio, nove podem ser evitados onde houver o diagnóstico preciso dessas patologias, o devido tratamento e a assistência das redes de cuidado e atenção.

O Brasil, por ser um país populoso, está entre os 10 países com maiores números absolutos de suicídio. Em comparação com outras faixas etárias, os idosos apresentam mais alta taxa de suicídio e menor de tentativa de suicídio, ou seja, apesar de os idosos tentarem menos contra a própria vida, quando o fazem, são mais eficazes quando comparados aos jovens.

 

Os fatores de risco para o suicídio são:

– Transtorno de humor (especialmente, depressão)
– Transtornos decorrentes do uso de substâncias psicoativas (especialmente, o abuso e a dependência de álcool)
– Transtornos de personalidade
– Esquizofrenia
– Transtornos ansiosos.
– Déficits cognitivos (encontrados nas demências)
– Isolamento social, viver em área urbana, suporte social inadequado e viuvez são estressores psicossociais correlacionados com o suicídio. Pessoas com história familiar de suicídio apresentam maior risco de suicídio e, também, de tentativas. Entre os idosos, os homens e os não casados apresentam maior risco de suicídio.

Todos os pacientes com transtornos mentais devem ser questionados sobre suicídio, especialmente, os deprimidos. A avaliação deve ser mais extensa e cuidadosa naqueles com tentativas de suicídio, ideação suicida ou de desesperança e comportamentos autoagressivos relatados.
Existe uma ideia errada entre as pessoas, inclusive no meio médico, de que questionar sobre pensamentos suicidas pode incentivar o paciente a cometer o ato. Esse receio deve ser desmitificado, pois, na verdade, falar sobre o assunto traz alívio ao paciente e reduz a ansiedade e o desespero ao compartilhar o sentimento que causa angústia, fortalece o vínculo a medida que o sofrimento é acolhido e, assim, a possibilidade de suicídio diminui.

Falar é sempre a melhor solução. Procure um psiquiatra.

Referência: CUSTÓDIO, O. MENON, M A; URGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS NO IDOSO, 2015

Autor: Hesley Landim – médico psiquiatra