Saúde físical e mental dos cuidadores e qualidade do atendimento ao idoso

Postado em: 19.05.2015

Pacientes idosos com quadro de doenças graves, muitas vezes, passam a depender da ajuda de outras pessoas como cuidadores para assegurar que os medicamentos sejam tomados precisamente conforme a orientação médica, ter companhia com quem interagir socialmente, ou mesmo ser ajudado no atendimento das funções básicas do dia-a-dia.

É possível que esse trabalho intensivo dos cuidadores possa levá-los a sofrerem os efeitos negativos do estresse por se sentirem sem controle total da situação, da necessidade de superar desafios dessa realidade ou considerar que as demandas são muito superiores as que podem atender.  Se essa situação não é devidamente enfrentada ainda no seu nascedouro, a tendência é que os cuidadores futuramente tenham problemas de saúde, diminuição na qualidade das interações sociais e no seu próprio estado mental, o que eventualmente pode levar a uma condição de total esgotamento físico e mental (burnout).  O termo burnout se refere a um esgotamento físico ou mental resultante de um período crônico de excesso de trabalho. Para alguns autores é caracterizado como uma doença, sendo muito frequente sua ocorrência nas atividades médicas, em função da natureza estressante predominante nessa área.

No que se refere às orientações aos familiares sobre como proceder para assegurar os melhores cuidados aos seus pacientes em casa, o médico geriatra deve alertar sobre as potenciais vulnerabilidades físicas e emocionais as quais os cuidadores estão expostos e prevenir a ocorrência de estresse do cuidador.

O estresse enfrentado pelos cuidadores tende a ser especialmente danoso em virtude de resultar de um trabalho intensivo,  de longa duração e carregado de emoções. Muitas vezes, essa estreita interação se estende por anos ou até mesmo décadas, com elevada demanda por um trabalho de qualidade associado a expressões de afeto pelo paciente, nem sempre muito tolerante a tantas intervenções necessárias ao seu tratamento. O quadro adverso agrava-se ainda mais, quando já não há esperança de uma reversão positiva do estado clinico do paciente. Sem um apoio adequado dos familiares e da equipe médica, é possível que os cuidadores se tornem vulneráveis a uma gama de problemas emocionais e físicos.

Ao atingir esse estágio de estresse, além de danos à sua própria saúde, os cuidadores podem experimentar uma diminuição na sua eficácia em exercer as suas funções de maneira a garantir o bem estar dos pacientes. Por essa razão, é importante que os cuidadores recebam apoio para que não sejam levados à essa situação. Compete ao geriatra, nas suas frequentes interações com os cuidadores, identificar precocemente os primeiros sinais de estresse para evitar que o cuidador seja afetado em sua capacidade de trabalho e deixe de proporcionar ao paciente o tratamento médico prescrito com a qualidade merecida e esperada. Para tanto, é importante que os primeiros sinais e sintomas de estresse sejam identificados e a devida atenção seja proporcionada.

Manifestações de insônia, sensação constante de cansaço ao responder ao menor esforço, dificuldade de concentração, baixa tolerância às frustrações e recusas, irritabilidade, prostração e ansiedade são reconhecidos como precursores do estresse que devem ser considerados pelo geriatra como indicativo que deve intervir para  evitar o agravamento da situação do cuidador.

Caso não receba ajuda, a tendência é que os sintomas mais graves associados ao esgotamento total ou burnout tendem a se manifestar sob a forma de: diminuição de qualidade nas funções do sistema imunológico levando-o a ter resfriados e gripes constantes; despertar já se sentindo completamente exausto; deixar de cuidar de si próprio porque está sempre cansado ou perdeu o interesse pelos cuidados pessoais; experimentar ausência de motivação para o seu trabalho de cuidador; e finalmente sentir-se totalmente perdido na situação e achar que não há solução para o seu caso.

Uma vez o cuidador, seja membro da família ou profissional contratado, esteja nessa zona perigosa de estresse e burnout, nada conveniente para si e muito menos para a pessoa a quem tem a responsabilidade de cuidar, é preciso que o geriatra intervenha para orientar como proceder para superar essas condições adversas.

Assim, como forma de assegurar o melhor tratamento para o seu paciente idoso, é importante que o geriatra coloque como uma das suas prioridades, cuidar também da saúde física e mental do cuidador a quem entregou a responsabilidade de o auxiliar no tratamento do seu paciente. Para tanto, deve ficar sempre atento para as primeiras manifestações de estresse no cuidador para evitar que esse entre na fase aguda do esgotamento total ou burnout. Ao agir assim, assegura que todos ganhem no processo: o paciente, seus familiares e os cuidadores.