Saiba mais sobre a Miastenia Gravis

Postado em: 25.03.2017

Autor: Dr. Lucas Silvestre, médico neurologista.

A miastenia gravis (MG) é na maioria das vezes uma doença autoimune mediada por anticorpos, e que se caracteriza por fraqueza muscular e fatigabilidade flutuantes. A palavra miastenia é de origem grega, com o prefixo myo significando músculo e asthenia, fraqueza. O termo gravis advém do latim, referindo-se à gravidade da sintomatologia. Os músculos voluntários do corpo são controlados por impulsos nervosos que se originam do cérebro. Estes impulsos viajam através dos nervos até encontrar o músculo. Este encontro ocorre justamente na junção neuromuscular, local onde ocorre a doença Miastenia Gravis. Anticorpos têm papel importante no sistema imunológico de defesa. Eles são dirigidos contra proteínas estranhas que atacam nosso organismo, como parte de bactérias e vírus. Portanto, os anticorpos nos defendem contra esses microrganismos.

Por razões não completamente compreendidas, o sistema imune do paciente com Miastenia Gravis produz anticorpos contra proteínas da junção neuromuscular do próprio organismo, dificultando a comunicação química do nervo com o músculo, e consequentemente ocasionando fraqueza muscular.

A doença pode se manifestar como queda palpebral (ptose), visão dupla (diplopia), dificuldade para mastigar ou engolir (tosse durante refeição), perda da expressão facial, voz anasalada, dificuldade para levantar os braços ou as pernas, e cansaço ou falta de ar. A fraqueza tem uma característica peculiar, pois piora ao longo do dia, ou piora após esforço muscular.

Miastenia pode provocar fraqueza nas pálpebras e visão dupla

O diagnóstico é realizado através da história clínica, exame neurológico, exames laboratoriais e eletroneuromiografia. Para profissionais de saúde, familiares e pacientes com Miastenia, é importante saber que algumas medicações podem piorar a fraqueza muscular da doença. Dentre as mais comuns podemos citar: relaxantes musculares, benzodiazepínicos (remédio para dormir), alguns antibióticos específicos, betabloqueadores, anestésicos gerais, e até mesmo contraste iodado utilizado em tomografias. Apesar do nome impactante, atualmente existem diversas formas de tratamento eficazes a longo prazo, com possibilidade para o paciente retornar as suas atividades habituais, sempre com acompanhamento neurológico adequado.