Quando devemos nos preocupar com quedas?

Postado em: 21.02.2017

Autora: Dra. Danielle Ferreira, Médica Geriatra na Clínica da Memória.

Presume-se que quedas frequentes fazem parte do envelhecimento habitual, sendo assim normal que ocorram. Mas o fato é que, apesar de frequentes, as quedas não devem ser consideradas como eventos normais na terceira idade ou inevitáveis, muito menos. A parcela da população que mais cai não são os idosos. Jovens e principalmente esportistas caem mais, no entanto, apresentam menor chance de complicações decorrentes dessas quedas. Já o idoso tem grande chance de lesão física e também psicológica. As lesões físicas muitas vezes podem ser graves, como fraturas com necessidade de correção cirúrgica, dentre outras complicações.

O medo de cair é uma grave complicação psicológica, trazendo consigo chance de depressão, ansiedade e retração social e perda de mobilidade.

“Prevenir é melhor do q eu remediar”.

Quem já não ouviu esse ditado mais de uma vez? Isso tem todo o sentido quando falamos em quedas. A atuação em melhorar o idoso e seu ambiente deve ser iniciada mesmo antes de haver a primeira queda. Por isso, sempre deve ser observado pelo profissional que avalia o idoso se existem fatores identificados para risco de queda, sempre acompanhada de uma intervenção o mais precoce possível para redução do risco.

A queda ocasional, por algum acidente pontual não é o que preocupa mais no idoso, e sim, as quedas recorrentes, que sinalizam que alguns problemas não detectados ou resolvidos existem.

Para uma prevenção eficaz, não basta apenas proporcionar um ambiente seguro, apesar de ser muito importante esse aspecto: barras de apoio, retirada de tapetes e boa iluminação devem ser considerados. Além disso, uma avaliação ampla está indicada pois normalmente o idoso cai por um acumulo de fatores de risco não controlados.

É papel do médico questionar a presença de quedas e circunstancias do evento e, existindo tal evento, fazer uma extensa análise da história clínica do idoso, avaliar capacidade física e psíquica, revisar todos os medicamentos e analisar direta ou indireta do ambiente domiciliar.

Após identificação dos fatores contribuidores para a presença das quedas, está indicada uma intervenção multidisciplinar para prevenir eventos futuros. Afinal, o mais importante é tornar a vida do idoso mais segura e proporcionar a melhor qualidade de vida possível.

Aos idosos, familiares e cuidadores, sempre devemos lembrar: não deixe de relatar ao médico qualquer evento de quase queda ou queda! Pode ser fundamental para manter a vida do idoso ativa e cheia de qualidade!