Perguntas frequentes sobre Doença de Parkinson

Postado em: 31.01.2017

Autor: Dr. Pedro Braga, médico neurologista na Clínica da Memória

Com o envelhecimento da nossa população, as doenças neurodegenerativas estão aumentando em sua frequência. A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais frequente no mundo. Elaboramos aqui perguntas frequentes feitas por pacientes e familiares com o diagnóstico de doença de Parkinson.

1. O que é doença de Parkinson ?

A doença de Parkinson é uma doença crônica degenerativa progressiva que envolve a morte de neurônios. Em especial, os principais neurônios envolvidos nesse processo são os produtores de dopamina. A dopamina, por sua vez, é importante para o controle dos movimentos e da coordenação. A doença então acaba por afetar os movimentos e equilíbrio do corpo devido a falta de dopamina.

2. Quais são os sintomas associados a doença de Parkinson?

Os quatro principais sintomas da doença de Parkinson são: tremor nas mãos, braços, pernas ou queixo; rigidez ou endurecimento dos braços, pernas ou tronco; lentidão dos movimentos do qual chamamos bradicinesia e instabilidade postural com prejuízo na coordenação e equilíbrio. Outros sintomas que podem ocorrer na doença incluem: dor, constipação, fadiga, alterações urinárias, depressão, medo/ ansiedade, alterações cognitivas, aliterações na fala, engasgos, demência e distúrbios do sono. Todos esses sintomas podem variar de pessoa para pessoa. Ao contrário do que se geralmente acredita, nem todos os pacientes com doença de Parkinson apresentam tremor.

 

  1. Quantas pessoas têm doença de Parkinson no mundo?

Estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas no mundo apresentam essa doença. Segundo dados da Organização mundial de saúde (OMS), cerca de 1% da população mundial seja afetada. No Brasil, existem poucas estatísticas mas acredita-se que existam 200 mil pessoas sejam afetadas.

  1. O que causa a doença de Parkinson?

Não existe ainda um entendimento real do que causa a doença. No entanto, acredita-se que exista fatores ambientais e genéticos associados ao surgimento da doença.

  1. A doença de Parkinson é hereditária?

Na grande maioria dos pacientes com doença de Parkinson não existe uma alteração genética especificamente envolvida na doença. No entanto, uma pequena parcela dos pacientes foram encontradas alterações genéticas específicas. Em estudos populacionais, sabe-se que um parente de uma pessoa com doença de Parkinson tem cerca de 4 a 9% mais  chance de desenvolver a doença também. Isso significa que história familiar de doença de Parkinson aumenta a chance de parentes desenvolverem também.

  1. Como a doença de Parkinson é diagnosticada?

Não existe um exame padronizado para o diagnóstico da doença. O diagnóstico é feito através de uma avaliação médica e identificação dos principais sinais e sintomas da doença. Geralmente, o diagnóstico é feito por um neurologista. O neurologista pode solicitar alguns exames para excluir outras causas que expliquem os sintomas do paciente.

  1. Como tratar a doença de Parkinson?

Apesar de não existir cura para a doença de Parkinson, existem vários tratamentos disponíveis. Entre os medicamentos, a levodopa ainda é o tratamento mais efetivo para o controle dos sintomas motores da doença. Ao ser ingerida, a levodopa é convertida em dopamina. Existem uma série de outros medicamentos além da levodopa cujo objetivo principal também é repor os estoques de dopamina no cérebro. O tratamento é individualizado de acordo com as necessidades do paciente. Deve-se pensar também em cada sintoma do paciente como: depressão, ansiedade, distúrbios do sono, constipação etc. Cada um desses sintomas necessita de um tratamento específico.

  1. Existe cirurgia para doença de Parkinson?

Sim. Hoje em dia o tratamento cirúrgico mais utilizado é a estimulação cerebral profunda ( DBS – Deep Brain Stimulation) . Nessa cirurgia é feito um implante de eletrodos que vão estimular ou inibir determinadas áreas do cérebro. Esse procedimento pode aliviar muito os sintomas de determinado grupo de pacientes, mas não oferece a cura da doença,  necessitando de ajustes periódicos dos eletrodos.

  1. Como é feito o acompanhamento da doença?

Os pacientes com doença de Parkinson necessitam de acompanhamento periódico com neurologista. Geralmente, os pacientes precisam de ajustes dos medicamentos. O objetivo principal do tratamento é melhorar a qualidade de vida dos pacientes com diminuição dos períodos em que paciente está sem efeito do medicamento e consequentemente com mais sintomas de lentidão, tremor e rigidez da musculatura (Período off). Os medicamentos também podem ocasionar efeitos colaterais como: sonolência e discinesias. As discinesias são movimentos involuntários amplos e rápidos que estão mais associados ao uso da levodopa. O desafio no tratamento é voltado a obter o máximo do benefício dos medicamentos e com o mínimo de efeitos colaterais.

  1. O tratamento da doença de Parkinson é feito somente com neurologistas?

Não. O adequado tratamento da doença exige uma equipe multiprofissional como: geriatra, fisioterapeuta, fonoaudiologa, terapeuta ocupacional, psicólogo e neuropsicólogo.

Entre as medidas não-medicamentosas gerenciadas pela equipe multidisciplinar podemos citar:

Terapia Ocupacional: Ajustes no ambiente e nas atividades como adaptar utensílios em casa para manter sua independência ou organizar as suas atividades em horários que a sua medicação esta lhe fazendo mais efeito.

Fisioterapia/ Atividade física: Treino de marcha,  equilíbrio e resistência; exercícios regulares.

Fonoudiologia: Treinamento da voz e controle da deglutição.

Psicologia / Psiquiatria: Controle de sintomas como ansiedade e depressão; Ajustes na questões de aceitação da doença.

Neuropsicologia: Terapia para controle dos sintomas cognitivos dos pacientes.

Nutrição: Aumentar ingesta de fluidos e de fibras para controle da constipação; ajustar dieta de acordo com os horários dos medicamentos; dieta balanceada e rica em frutas, vegetais e nozes.

 

Referências:

Parkinson’s disease foundation: http://www.pdf.org, em 20/11/16.

Academia Brasileira de Neurologia: http://abneuro.org.br/clippings/detalhes/150/conheca-os-sintomas-do-mal-de-parkinson,  em 20/11/2016.

Parkinson Foundation: http://www.pfwpa.org/about-parkinson-disease.html, em 20/11/2016.

 Associação Brasil Parkinson : http://www.parkinson.org.br/firefox/index.html, em 20/11/16