O motorista idoso

Postado em: 17.06.2016

Autor: Dr. Guilherme Pimenta.

O Brasil tem apresentado um aumento em sua proporção de idosos, tendo de acordo ao CENSO realizado em 2010, mais de 20 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais de idade.

Examinando óbitos e internações dessa população em acidentes de trânsito verifica-se a ocorrência de mais de 6000 mortes/ano, o que evidencia uma média de cerca de 20 mortes/dia. Quando se verifica a qualidade da vítima no momento do acidente, observa-se absoluta predominância de pedestres, ao lado de proporções não desprezíveis de motociclistas e ocupantes de veículos fechados.

Não há no Código de Trânsito Brasileiro limite de idade para que as pessoas parem de dirigir. A única restrição é que a partir de 65 anos a validade do exame de aptidão física e mental passa a ter duração máxima de 3 anos, e não mais de 5 anos.

 

Os idosos são mais experientes como condutores e de maneira geral mais prudentes quando na direção de um veículo. Em geral, não dirigem em excesso de velocidade ou alcoolizados, utilizam cinto de segurança com mais frequência que os demais condutores e cuidam da manutenção do veículo, além de planejar com mais cuidado seus deslocamentos e não cometerem infrações conscientemente.

Algumas condições médicas predispõem a acidentes de trânsito, principalmente em idosos. No entanto, muitos mantêm a habilidade de dirigir de maneira competente e segura. Basear-se unicamente na idade cronológica para impedir que um idoso dirija não encontra sustentação no conhecimento atual nem constitui prática desejável.

O código de trânsito brasileiro não estabelece limite de idade para condução de veículos.

 

O código de trânsito brasileiro não estabelece limite de idade para condução de veículos.

 

O envelhecimento pode trazer limitações físicas, como por exemplo:

→ Deficiências de movimento: movimentos mais lentos e menos seguros;
→ Deficiências visuais: doenças como catarata, glaucoma, degeneração macular e retinopatia diabética;
→ Deficiências auditivas: perda auditiva por acúmulo de cerúmen, alteração na condução e percepção do som.

Existem também, em virtude do envelhecimento, comprometimento das funções cognitivas (aprendizado, memória, atenção, reconhecimento, linguagem e juízo crítico), além do aumento de prevalência de doenças degenerativas, como a demência de Alzheimer e outros tipos de demência. Diminuição e prejuízo na atenção dividida, particularmente quando as tarefas demandadas são múltiplas e complexas, lentificação das respostas, menor capacidade de aprendizado, sobrecarga de informações, dificuldade na integração das informações recebidas explicam as dificuldades que uma pessoa idosa apresenta ao dirigir.

As infrações de trânsito mais comumente cometidas por motoristas idosos são listadas abaixo, a saber:

→ Desobediência a sinais de parada e farol vermelho;

→ Incapacidade de fazer conversão à esquerda com segurança;

→ Efetuar retorno proibido;

→ Ultrapassagem perigosa;

→ Não circular pelo lado direito da via.

 

A sociedade de hoje se move sobre rodas e a independência de muitos idosos depende de sua habilidade para dirigir veículos automotores. A inaptidão para dirigir representa para o idoso mais uma sucessão de perdas características do envelhecimento, talvez a mais dolorosa porque limita sua mobilidade e liberdade de locomoção e integração social.

São recomendações propostas ao condutor idoso:

→ Evitar dirigir à noite, ao amanhecer, anoitecer e em “horários de pico”;

→ Dirigir por trajetos de curta duração;

→ Descansar após uma hora e meia de direção contínua;

→ Utilizar veículos com direção hidráulica, câmbio com transmissão automática, pedais com grande superfície e retrovisores amplos (internos e externos em ambos os lados do veículo)

→ Cuidados com os efeitos colaterais dos medicamentos em uso;

→ Como os acidentes são mais frequentes nas conversões à esquerda, quando possível, poderá ser mais seguro realizar três conversões à direita.