Neuro-oncologia: tratamento de tumores cerebrais

Postado em: 20.12.2016

Autora: Kellen Fermon, médica neurologista da Clínica da Memória.

A neuro-oncologia é a área especializada no diagnóstico e tratamento dos tumores (neoplasias) no sistema nervoso central (cérebro e medula), tanto primários (que se originam no sistema nervoso central) quanto metastáticos (são provenientes de outras localizações, como pulmão ou mama, por exemplo, e se instalam no cérebro ou medula). A neuro-oncologia também é a área que tem treinamento especial em manejar as complicações neurológicas relacionadas ao câncer sistêmico e seus tratamentos. Esta área passou por grandes avanços e o tratamento mudou consideravelmente. Há poucos anos, a cura, em muitos casos, não era possível. Muitas vezes, o diagnóstico era tardio e tínhamos poucas ferramentas para o combate ao câncer.

Este cenário mudou completamente. Hoje temos a oportunidade de diagnosticar precocemente e oferecer tratamentos com objetivo de cura, com métodos avançados de diagnóstico por imagem (como os estudos que usam ressonância, por exemplo), terapias cada vez mais precisas com o auxílio das novas técnicas de radioterapia, e medicações que, muitas vezes, são específicas para determinado paciente, utilizando estudos genéticos e moleculares.

Esses estudos genéticos e moleculares fazem parte da nossa rotina e são incorporados na prática oncológica. Essa rotina tem oferecido aos pacientes com câncer uma qualidade de vida muito superior ao que antes era conhecido. O foco é sempre a qualidade de vida, a prevenção e o tratamento individualizado.

O tratamento de tumores cerebrais é um grande desafio

 

Mesmo com tantos avanços científicos, o câncer no sistema nervoso está entre os tipos de câncer mais complexos e difíceis de tratar. O neuro-oncologista é o profissional indicado para lidar com estes casos, com o auxílio de oncologistas gerais, neurocirurgiões, radioterapeutas e radiologistas. Os sintomas que fazem o paciente procurar o neuro-oncologista são inúmeros, entre eles destacam-se fortes dores de cabeça, mudanças na visão e na forma de andar, perda de força, alterações na sensibilidade da pele, alterações de memória e comportamento e, algumas vezes, convulsões. Qualquer sinal ou sintoma neurológico deve ser sempre valorizado e comunicado ao médico. Nunca se deve achar que é normal, por exemplo, ter dor de cabeça ou fraqueza. Pode ser que estejamos diante de algo mais simples, mas sempre deve-se comunicar ao seu médico, para que este avalie a necessidade de realizar exames ou obter opiniões especializadas.