Escutar música clássica modula os genes responsáveis por funções cerebrais

Postado em: 19.05.2015

Embora gostar de música seja algo comum observado em todas as culturas, os determinantes biológicos para ouvir música ainda são largamente desconhecidos. De acordo com uma nova pesquisa, escutar música clássica melhora a atividade dos genes ligados à secreção e transporte de dopamina, da neurotransmissão sináptica, da aprendizagem e da memória, assim como reduz a ação de genes associados a neurodegeneração. Vários dos genes que respondem intensamente a estímulos internos ou externos já foram identificados como responsáveis pela aprendizagem e canto dos pássaros canoros, sugerindo uma base evolucionária da percepção dos sons ao longo das espécies.

Ouvir música representa uma função cognitiva complexa do cérebro humano, a qual é reconhecida como capaz de induzir uma série de mudanças neurais e fisiológicas. No entanto, as bases moleculares que desencadeiam esses efeitos ao ouvir música são ainda desconhecidas.

Um grupo de pesquisadores da Finlândia investigou como a música clássica afeta a expressão dos genes de participantes com ou sem experiência musical. Todos os participantes ouviram o Concerto para Violino No. 3, de Wolfgang Amadeus Mozart, com duração de 27 minutos.

Ouvir música aumenta a atividade de genes envolvidos na secreção e transporte da dopamina, das funções sinápticas, da aprendizagem e da memória. Um dos genes que mais fortemente responde aos estímulos internos e externos, o sinucleina-alfa (SNCA) é reconhecido com um gene de risco para causar a doença de Parkinson e está localizado em região com fortes ligações com a aptidão musical. O SNCA é também reconhecido por contribuir na aprendizagem dos cantos pelos pássaros canoros.

“Vários dos genes que respondem intensamente aos estímulos internos e externos são reconhecidos como responsáveis pela aprendizagem do canto de pássaros canoros. Esse fato sugere uma relação evolutiva entre a percepção e a vocalização entre pássaros e humanos”.

Por outro lado, ao se ouvir música, os genes de baixa intensidade de resposta e que estão associados com a neurodegeneração, passam a assumir uma função neuroprotetiva.

“Esse efeito somente foi observado em participantes que eram expostos a experiências musicais, sugerindo a importância da familiaridade e experiência em ouvir música para se beneficiar de suas vantagens”, enfatizaram os pesquisadores.

Os resultados obtidos nessa pesquisa proporcionaram novas e importantes informações sobre as bases moleculares genéticas da percepção da música e evolução das espécies. As observações podem, ainda, dar novas visões sobre os mecanismos moleculares visando seu emprego na terapia musical.

FONTE:

Chakravarthi Kanduri, Pirre Raijas, Minna Ahvenainen, Anju K. Philips, Liisa      Ukkola-Vuoti, Harri Lähdesmäki, Irma Järvelä. The effect of listening to music on human transcriptomePeerJ, 2015; 3: e830 DOI: 10.7717/peerj.830