Esclerose Múltipla: entenda o que é.

Postado em: 09.05.2016

Esclerose Múltipla (EM) é uma doença auto-imune crônica do sistema nervoso central, que afeta principalmente mulheres jovens em idade fértil. Não é hereditária, ou seja, não há transmissão entre gerações. Na verdade trata-se de uma doença produzida pela própria imunidade do paciente. A mesma imunidade responsável pela defesa do organismo contra vírus e bactérias, a partir de um determinado momento passa a reconhecer e atacar células do próprio corpo. No caso da EM, essa agressão ocorre principalmente em regiões do cérebro ricas em mielina, como a substância branca cerebral e medula espinhal. Ainda não se sabe ao certo o que faz com que a imunidade comece a atacar estruturas do próprio organismo. Existem teorias, mas ainda incertas.

Os sintomas mais comuns são surtos de perda de força ou sensibilidade, dificuldade para andar, desequilíbrio, incoordenação, visão dupla, borramento/perda visual e fadiga. Habitualmente surge um sintoma em cada surto. Sintomas cognitivos costumam ocorrer somente em casos mais avançados ou graves.A forma mais comum de EM, responsável por mais de 80% dos casos, chama-se forma remitente-recorrente, caracterizada justamente pelos surtos. Cada surto é definido como um sintoma neurológico novo (dormência por exemplo), que dure no mínimo 24 horas. O diagnóstico se faz através da conjunção de dados clínicos, exame neurológico e exames complementares, sendo a Ressonância Magnética do encéfalo uma forte ferramenta utilizada atualmente, pois possui habitualmente um padrão típico bem característico da doença.

Ressonância de encéfalo mostra placas de EM (pontos brancos)

Ressonância de encéfalo mostra placas de EM (pontos brancos)

 

 

O paciente necessita de seguimento contínuo com o seu neurologista, para acompanhamento dos sintomas e da eficácia do tratamento. Normalmente essa avaliação se baseia em três pilares:

 

1) Presença ou ausência de novos surtos (taxa anualizada de surtos)

2) Funcionalidade (utiliza-se uma escala conhecida como EDSS)

3) Evolução das lesões na RM de encéfalo (carga lesional)

 

Deve-se realizar o exame de imagem idealmente uma vez por ano (pode variar a critério do médico neurologista). É muito importante que o faça sempre no mesmo aparelho de Ressonância, pois podem ocorrer variações nas lesões dependendo do poder de definição da máquina (Tesla). Importante também que o paciente leve em CD o último exame realizado para que o médico radiologista possa comparar os exames e contar as lesões.

Desde a década de 90 surgem cada vez mais opções eficazes de tratamento da Esclerose Múltipla, diminuindo a possibilidade de incapacidade funcional dos pacientes. As medicações não curam, mas podem controlar a doença. Apesar do nome ainda carregar um grande estigma, existem muitos pacientes portadores de EM com vida normal, independentes e ativos. Trata-se de uma área bastante promissora dentro da Neurologia.

Autor: Dr. Lucas Silvestre