Epilepsia pode ser tratada com cirurgia

Postado em: 08.10.2015
Autor: Dr. Vitor Hugo Pacheco é  médico neurologista na Clínica da memória.

Autor: Dr. Vitor Hugo Pacheco é médico neurologista na Clínica da memória.

A cada dia, novas pessoas são diagnosticadas com epilepsia. A doença é bastante comum e não é difícil conhecer uma pessoa que sofre com crises epilépticas, também chamadas de convulsões, algumas delas frequentes e debilitantes. Estima-se que uma em cada dez pessoas sofrerá um crise epiléptica em sua vida, na maioria das vezes como consequência de uma doença ou a traumatismo craniano. Somente uma parte dessas pessoas continuará a apresentar convulsões repetidas e será, portanto, diagnosticada como portadores de epilepsia.

O tratamento de epilepsia é feito inicialmente com medicações. Essas devem ser tomadas todos os dias, religiosamente, no objetivo de prevenir ao máximo as crises. Todos já ouviram falar nas medicações mais comuns e mais antigas, como fenobarbital e fenitoína. Nos últimos anos, houve um aumento significativo no número de novas medicações, desenvolvidas para o tratamento da doença. Mesmo assim, estima-se que quase um terço dos pacientes portadores de epilepsia não responde completamente ao tratamento e continuará sofrendo com crises. Esse número é significativamente elevado e, por isso, novas estratégias foram criadas no intuito de oferecer mais oportunidades para que essas pessoas vivam melhor.

A cirurgia para epilepsia já é uma modalidade usada em alguns centros por muitos anos. Com o avanço no campo tecnológico, esse tipo de tratamento passou a usar técnicas cada vez mais modernas, seguras e, principalmente, com resultados previsíveis na sua maioria. A ideia é simples: Se uma área do cérebro é responsável pelo “curto-circuito” causador de uma crise epiléptica, retira-se essa área por meio de operação. Em outros casos, mas com resultados não tão eficientes, um estimulador pode ser implantado na região do pescoço, funcionando como uma espécie de “marca-passo”, também ajudando no controle das crises. Esse aparelho é chamado de estimulador do nervo vago.

É importante enfatizar que nem todos os pacientes portadores de epilepsia são candidatos para esse tipo de tratamento, e que nem todos os pacientes operados serão curados completamente. Testes de imagem, eletroencefalograma e outros mais devem der feitos para que se defina um indivíduo com bom potencial e com boas chances de se beneficiar dessa forma de terapia. Esses testes estão disponíveis na maioria das cidades grandes. Infelizmente, nem todas as capitais dispõe de um serviço de tratamento cirúrgico para epilepsia. Para melhores informações, e para um tratamento mais adequado, um neurologista com interesse nessa área deve ser consultado.

Autor: Vitor Hugo Pacheco. Médico neurologista