Distúrbios do sono em idosos

Postado em: 24.03.2017

Autora: Dra. Ianna Braga.

O envelhecimento traz mudanças estruturais no padrão do sono. Um grande estudo realizado em São Paulo revela que as principais mudanças são alterações no tempo total de sono na eficiência do sono (1). Porém estudos com centenários mostram que 57,4% de 180 centenários tem uma boa qualidade de sono (2). Os principais distúrbios do sono em idosos são síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), insônia, síndrome das pernas inquietas (SPI) (3). A SAOS tem relação com obesidade e seus sintomas típicos são a presença de ronco e a apneia (período sem respiração) observadas por terceiros. Indivíduos com apneia do sono obstrutiva apresentam qualidade de vida ruim, mais chance de doença cardiovascular (ter infarto ou “derrame”) e de ter acidentes de trânsito (4).

A insônia é a dificuldade e de iniciar ou manter o sono, acordar mais cedo do que o habitual ou queixar-se de sono não restaurador. As principais queixas de quem tem insônia são: sonolência diurna, irritabilidade, alterações de humor, redução da concentração, memória e atenção (3).

Pessoas com apneia do sono podem roncar bastante

Já a SPI é caracterizada pela necessidade imperiosa de movimentar as pernas, geralmente associadas a sensações locais desagradáveis. Geralmente associada a predisposição genética ou deficiência de ferro (3).
Estas doenças têm diagnóstico clínico, feito por profissional capacitado e podem ser ajudados na sua caracterização por exames complementares como a polissonografia. Exame essencial desde que feito em clínicas próprias com profissionais certificados.

Para dormir bem é essencial que algumas medidas comportamentais para bons hábitos de sono sejam cumpridas. Como expor-se regularmente a luz do sol durante o dia; ir a cama apenas quando sentir sono; procurar não continuar na cama caso não consiga dormir; evitar usar a cama para comer ou ler; evitar dormir com a televisão ligada; levantar sempre na mesma hora; evitar exercícios próximo a hora de dormir; organizar o quarto para que tenha redução da luminosidade e do barulho (3).

E os benzodiazepínicos (lorazepam, diazepam, bromazepam, dentre outros)? Quantos idosos tem dúvida se devem ou não tomar esses medicamentos para dormir. Os benzodiazepínicos devem ser indicados por médico que avalie de forma detalhada a sua qualidade de sono. Não são a primeira opção e podem, inclusive, piorar o sono de pessoas com SAOS. Eles reduzem a capacidade restaurativa do sono, apesar de aumentar o tempo de sono. Portanto, devem ser utilizados com cautela e por CURTO período de tempo (3, 5).

Referências:

1. Moraes W, Piovezan R, Poyares D, Bittencourt LR, Santos-Silva R, Tufik S. Effects of aging on sleep structure throughout adulthood: a population-based study. Sleep medicine. 2014;15(4):401-9. Epub 2014/03/25.
2. Tafaro L, Cicconetti P, Baratta A, Brukner N, Ettorre E, Marigliano V, et al. Sleep quality of centenarians: cognitive and survival implications. Archives of gerontology and geriatrics. 2007;44 Suppl 1:385-9. Epub 2007/02/24.
3. Cavalcanti AdA, Braga ILS, Abreu CFdSN, Neto PB, NEto MAS. Distúrbios do sono em idosos: conceito, diagnóstico e tratamento. In: Gerontologia SBdGe, editor. PROGER Programa de Atualização em Geriatria e Gerontologia. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2016.
4. Togeiro SMGP. Sindrome da Apnéia e hipopnéiaobstrutiva do sono (SAHOS): aspectos clínicos e diagnóstico. In: Tufik S, editor. Medicina e biologia do sono. Barueri, SP: Manole; 2008.
5. Poyares D, Moraes WAdS, Sukys L, Palombini L. Medicamentos e sono. In: Tufik S, editor. Medicina e biologia do sono. Barueri, SP: Manole; 2008.