Descoberta pode frear doença de Alzheimer

Postado em: 13.01.2016
Autor: Dr. Glauber Ferreira, médico neurologista na Clínica da Memória.

Autor: Dr. Glauber Ferreira, médico neurologista na Clínica da Memória.

Um estudo publicado esse mês no periódico Brain revela um importante avanço na pesquisa do tratamento da doença de Alzheimer. Pesquisadores da Universidade de Southampton, liderados pelo cientista britânico Diego Gomez-Nicola conseguiram pela primeira vez reduzir a inflamação relacionada a proliferação de células da micróglia, que são células de suporte dos neurônios. Já se sabia que um processo inflamatório estava envolvido na perda de células e de conexões que acorre na doença de Alzheimer, mas essa é a primeira vez que se consegue reduzir essa inflamação. Esse resultado foi obtido por meio do bloqueio do receptor CSF1R através de uma substância experimental denominada GW2580, um tipo de inibidor de tirosina quinase. O testes até o momento foram conduzidos somente em camundongos.

Comentário do especialista:

Já se passaram quase 20 anos sem que tenha surgido algum grande avanço no tratamento da doença de Alzheimer. Nosso arsenal terapêutico hoje se limita às mesmas drogas usadas no século passado. Essa nova descoberta representa mais uma droga promissora que se soma à outras substâncias, como o aducaumab e o solanezumab, que aguardam resultados de testes em seres humanos. A diferença é que essa nova substância tem um alvo completamente diferente de outras drogas em pesquisa. Ela atua na neuroinflamação, e sua utilidade por transcender o uso na doença de Alzheimer, podendo até mesmo ser útil no tratamento de outras doenças neurodegenerativas.