Dependência de remédios controlados

Postado em: 24.03.2017

Autor: Dr. Guilherme Pimenta.

Os benzodiazepínicos, exemplos: clonazepam (Rivotril ®), alprazolam (Frontal ®, midazolam (Dormonid ®) foram descobertos na década de 50 representando um avanço considerável no tratamento farmacológico dos transtornos de ansiedade, recebendo a denominação de drogas ansiolíticas, tornando-se amplamente prescritos e sendo utilizados por centenas de milhões de pessoas desde seu lançamento. Transtornos de ansiedade e do sono, doenças convulsivas e síndrome de abstinência alcoólica constituem algumas das suas indicações terapêuticas. No entanto, tornou-se evidente que apesar de sua eficácia e segurança, os mesmos poderiam causar problemas de dependência se usados cronicamente sem orientação médica. Logo, seu possível potencial de abuso deve ser contrabalanceado à suas propriedades ansiolíticas benéficas.

Um padrão de uso disfuncional de uma substância acarreta comprometimento significativo manifestado por três ou mais dos seguintes sintomas, ocorrendo durante qualquer tempo, num período de um ano:

• Forte desejo de consumir;
• Dificuldade em controlar comportamento de consumo (início, término ou níveis de consumo);
• Estado de abstinência fisiológico quando o uso da substância cessou ou foi reduzido, evidenciado por síndrome de abstinência característica ou o uso da mesma substância com a intenção de aliviar ou evitar sintomas de abstinência;
• Evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes são requeridas para alcançar efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas;
• Abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor da substância, com aumento da quantidade de tempo necessária para obter ou tomar a substância ou para se recuperar de seus efeitos;
• Persistência do uso a despeito de evidencia clara de consequência manifestamente nociva.

Dependência de remédios controlados é um problema de saúde pública

Os sintomas de abstinência são limitados no tempo, geralmente ocorrendo durante 1 a 2 semanas após a interrupção do uso, porém a duração depende da droga e do indivíduo. Esses sintomas são geralmente opostos aos efeitos agudos da droga ou podem mimetizar os sintomas pelos quais a droga foi inicialmente introduzida para tratar. Quanto mais longo o tratamento e mais altas forem as doses mais provável ocorrer sintomas de abstinência.

O princípio fundamental do tratamento da dependência caracteriza-se com à retirada segura e gradual da dose do benzodiazepínico. A dose é reduzida e observa-se quaisquer sinais e sintomas de abstinência, observando-se cuidadosamente a condição do paciente após cada mudança de dose. Para mais informações a respeito do uso dessas medicações, entre em contato com o autor através do e-mail contato@clinicadamemoria.med.br ou agende uma consulta com um de nossos psiquiatras.