Alzheimer é diabetes tipo 3?

Postado em: 03.12.2015
Autor: Dr. Glauber Ferreira, médico neurologista na Clínica da Memória.

Autor: Dr. Glauber Ferreira, médico neurologista na Clínica da Memória.

A maioria das pessoas já ouviu falar de diabetes tipo 1 e tipo 2. O primeiro tipo é aquela que a pessoa já nasce com dificuldade de produzir a insulina que o corpo precisa para transformar o açúcar da dieta em combustível para nossas células. Quem tem esse tipo de diabetes desde criança precisa tomar injeções de insulina para tratar do problema. Já no diabetes tipo 2, que corresponde a 90% dos casos, a queda nos níveis de insulina é decorrente de maus hábitos alimentares e de um estilo de vida sedentário. É chamada de diabetes adquirida.

Nesses casos um fenômeno chamado de resistência a insulina precede o diabetes, e quer dizer que o corpo precisa produzir cada vez mais insulina para obter o mesmo resultado. Eventualmente o pâncreas não consegue mais produzir insulina suficiente e se torna necessário a reposição desse hormônio, geralmente por meio de injeções debaixo da pele. Tudo isso já seria argumento suficiente para justificar bons hábitos alimentares e a prática de atividade física, mas recentemente passou-se a discutir um terceiro tipo de diabetes. Um diabetes do cérebro, que levaria a doença de Alzheimer: o diabetes tipo 3.

O que já se sabe é que pessoas com diabetes tem duas vezes mais chance de desenvolver a doença de Alzheimer. Grande parte do aumento desse risco decorre do maior risco de um acidente vascular cerebral (AVC). Pessoas com diabetes tem maior incidência de AVCs que, mesmo quando pequenos se somam para prejudicam a conexão entre as células. Esse dano provocado pelos AVCs aumenta o ritmo depósito de proteínas tóxicas que levam a doença de Alzheimer. Porém, os estudos mais recentes apontam um outro fator envolvido.

Antes mesmo do desenvolvimento dos sintomas da demência existe uma redução na captação de açúcar nas células do cérebro, fenômeno esse que os cientistas estão chamando de diabetes tipo 3. É como se o cérebro desenvolvesse, a exemplo de outros órgãos, uma resistência ao hormônio insulina. Sabemos que nosso cérebro consome 25% de todo a glicose de nosso corpo, e que esse representa quase que exclusivamente o combustível usado pelo cérebro.

Na doença de Alzheimer o cérebro passa a ter maior dificuldade de captar o açúcar do sangue e transforma-lo em energia. Essa resistência à insulina do cérebro provoca um estresse oxidativo adicional e dificulta o funcionamento normal de alguns neurotransmissores, especialmente a dopamina, responsável, entre outras funções, da atenção e da memória. Eventualmente o somatório desse efeitos se reflete na perda de células e de conexões que podem levar a perda de capacidades intelectuais do indivíduo, e pode contribuir para o desenvolvimento da demência de Alzheimer.

Uma das recomendação para quem quer prevenir a doença de Alzheimer é adotar hábitos alimentares saudáveis.

Hábitos alimentares saudáveis previnem a doença de alzhaimer

Hábitos alimentares saudáveis previnem a doença de alzhaimer

Dietas ricas em peixes, frutas e legumes, a exemplo da dieta do Mediterrâneo, parecem ser protetoras. Em contraparte, dietas ricas em carboidratos, gorduras saturadas e, como apontado no estudo, especialmente o açúcar, provaram-se nocivas para o cérebro. Uma boa alimentação, associada a atividade física regular e estímulo intelectual ainda são a melhor forma de prevenir a doença de Alzheimer.