Afinal, o que causa epilepsia?

Postado em: 15.02.2016

Autor: Dr. Vitor Hugo Pacheco, médico neurologista na Clínica da Memória.

Como médico especialista em neurologia e epilepsia, eu me deparo diariamente com uma pergunta simples, mas ao mesmo tempo difícil de ser respondida precisamente ou igualmente a todos os pacientes: “Agora que eu fui diagnosticado ou diagnosticada com epilepsia, você pode me dizer o que causa esta doença?”.

Epilepsia é a tendência que uma pessoa tem de sofrer com crises epilépticas repetidamente. As crises epilépticas são comumente chamadas de “convulsões”, apesar de que, em algumas crises, a pessoa não apresenta aqueles batimentos dos braços e das pernas chamados de convulsões.

Mesmo assim, essas crises também são chamadas de epilépticas e representam um problema no cérebro.

 

Mas o que causa epilepsia? Essa resposta pode ser respondida da maneira mais fácil como: Epilepsia é quando há alguma coisa errada nas conexões entre as células do cérebro, o que causa um “curto-circuito” dessas células, causando os sintomas.Até aí a resposta é fácil. Porém, quando se tenta explicar o porque de uma pessoa desenvolver esse curto-circuito as coisas ficam mais difíceis.

A causa da epilepsia muitas vezes é difícil de ser determinada

A causa da epilepsia muitas vezes é difícil de ser determinada

As pessoas apresentam problemas diferentes, na sua maioria dependendo da sua idade e outros fatores, que no final acabam ajudando no desenvolvimento dessas más conexões entre as células. No caso de epilepsia em bebês e crianças, a razão mais comum para tal são as infecções adquiridas no período do nascimento, assim como outros problemas dessa época, como a falta de oxigênio que ocorre durante aqueles partos complicados. Também há aqueles bebês que nascem com alguma doença genética, tipo síndrome de Down ou outras menos conhecidas, que os fazem ter problemas no cérebro. Já os adultos possuem outras causas. Pode-se desenvolver epilepsia por causa de infecções. No Brasil, um tipo de infecção bem comum é a cisticercose, onde os ovos de um verme chamado taenia ou solitária, normalmente presentes no intestino de porcos, chegam no cérebro das pessoas, após ingestão de água ou comidas (vegetais, frutas) contaminadas. Infartos cerebrais, ou AVC, e tumores também são causas conhecidas.

Muitas pessoas com epilepsia já se depararam com resultados normais dos seus testes de tomografia, ressonância e eletroencefalograma. Isso é comum?

A resposta é “sim”. Por mais que nós conheçamos algumas causas de epilepsia, como as mencionadas acima, na grande maioria das vezes a gente termina não sendo capaz de descobrir o que está errado. Na verdade, é muito mais comum a gente receber resultados negativos de exames para epilepsia, que positivos. Mas não se enganem: um resultado negativo não exclui o diagnóstico de epilepsia. Os exames não são tão perfeitos assim… Nesses casos onde não se encontram as causas da doença presume-se que o problema é pequeno demais para ser detectado pelos exames ou que existe uma tendência genética para essa pessoa desenvolver epilepsia. Deve-se perguntar aos familiares se há mais alguém com a doença em casa. Em alguns casos bem especiais, o teste genético é disponível também. As chances de se descobrir e tratar corretamente a doença são maiores quando se procura um profissional especializado.