Açúcar e demência

Postado em: 20.12.2016

Autora: Dra. Danielle Ferreira, Médica Geriatra na Clínica da Memória.

O envelhecimento da população fez com que a demência se tornasse um problema em saúde pública com dimensões importantes no mundo todo. Concomitantemente, se observa uma elevação nas taxas de obesidade da população mundial. Para a medicina, tornou-se importante o estabelecimento da relação entre esses dois fatores, considerando que diabetes já é um fator de risco bem identificado para desenvolvimento de demência do tipo Doença de Alzheimer (o tipo mais comum de demência). Caso exista, essa correlação deve ter como explicação alguma mudança no metabolismo, então um estudo publicado no NEJM tentou demonstrar isso, através da avaliação dos níveis de glicemia (níveis de açúcar no sangue) e a incidência de demência na população.

O estudo foi do tipo observacional, com mais de 2000 participantes com idade maior ou igual a 65 anos e com avaliações ao longo de 5 anos. Foi possível mostrar, através da análise dos achados, que maiores níveis de glicemia estavam relacionados com um aumento nas chances de desenvolvimento de demência ao longo da vida.

Foi mostrado que, independente de ter ou não diabetes, quanto maior o nível de glicemia, maior o risco do idoso de desenvolver demência ao longo da vida. O aumento do risco de demência na população que não era portadora de diabetes foi de 18% e, na população diabética, foi de 40%. O mais significativo e inovador desse estudo foi demonstrar o risco aumentado de desenvolver demência mesmo nas pessoas que não eram portadoras de diabetes.

Açúcar é o vilão das demências?


Opinião da Dra. Danielle Ferreira (geriatra):

Não se pode ainda afirmar isso, pois seria necessário estudar a correlação entre o consumo baixo de açúcar e a redução na incidência de demência, o que ainda não foi feito. Outro aspecto que se deve considerar é que nem sempre nossos resultados metabólicos estão diretamente relacionados ao nosso consumo alimentar.

Existem pessoas que podem até se alimentar bem e, ainda assim, ter alterações metabólicas como diabetes ou alterações de colesterol. O que ficou comprovado realmente foi que, em existindo níveis alterados de glicemia, a pessoa teria um risco maior em desenvolver demência ao longo de sua vida.

Esse estudo, assim como outras evidências científicas, nos mostram que existe uma grande probabilidade de que o controle integrado do metabolismo seja uma área de intervenção para prevenirmos a demência.

Fonte.n engl j med 2013;369:540-548