A inteligência emocional ao alcance dos idosos

Postado em: 31.01.2017

Autora: Aline Nóbrega, terapeuta ocupacional na Clínica da Memória

Nossa realização de vida vem de duas inteligências: a racional e a emocional. Não é apenas o QI (Quociente de Inteligência), mas o QE (Quociente Emocional) que tem relevância, lembrando-se que um não é o oposto do outro e sim o complemento.

Inteligência emocional é competência emocional. É a busca do equilíbrio através da forma como se lida com as emoções. É persistir frente às frustrações, saber esperar, controlar impulsos, motivar-se, ter empatia, lidar bem consigo e com os outros. É a energia de adaptação em ação e a habilidade das pessoas conviverem melhor com as mudanças ao longo da vida, decorrente de perseverança, flexibilidade e disciplina. É a capacidade de se viver melhor, sendo seres adaptáveis.

 

Existem cinco aptidões básicas da inteligência emocional que precisam ser cultivadas para a construção de um bom aprendizado emocional: o autoconhecimento, a administração das emoções, a automotivação, a empatia e a sociabilidade. Tais habilidades são desenvolvidas e/ou estimuladas em qualquer fase da vida. Muitas vezes, tem-se pouco ou nenhum controle sobre quando somos arrebatados pela emoção e sobre qual tipo de emoção surgirá: raiva, tristeza, alegria, etc., mas podemos controlar a intensidade desta.

Almejar chegar em algum lugar da vida sem se alfabetizar emocionalmente é como tentar controlar um veleiro no meio de uma ventania: você pode tentar, a duras penas, manter o curso, mas não pode esperar fazer grandes progressos. Você tem a probabilidade maior de realizar seus sonhos quando sabe verdadeiramente quem você é, o que quer e o que está sentindo a cada momento.

O crescimento da violência, dos suicídios e dos descontroles emocionais, associados ao isolamento e à solidão, empurra-nos a procurar uma forma de lidar melhor com as emoções em busca da construção do nosso alfabeto emocional.

Para uma pessoa melhorar sua própria inteligência emocional, a primeira tarefa é desaprender e reaprender, devido ao fato que seus hábitos emocionais muitas vezes foram aprendidos na infância. Analfabeto não é somente uma pessoa que não lê e escreve, mas sim uma pessoa estática, que não se modifica e não aprende coisas novas, construindo novas conexões cerebrais.

É através do autoconhecimento que nos relacionamos melhor e assim nos tornamos sábios em vez de rabugentos, construindo uma vida feliz e saudável, como as pessoas inteligentes emocionalmente, as quais jamais envelhecerão pela cristalização de ideais, hábitos e comportamento, mas amadurecerão plenos e felizes, adaptáveis e eternos aprendizes.

Ser inteligente emocionalmente é o que faz diferença no mundo atual, porque você vai ser o responsável pela sua felicidade, construída através da alfabetização emocional, da sua capacidade de se adaptar às fases da vida com perseverança e motivação, buscando novas saídas, construindo novos relacionamentos e novas “pontes” para o caminho de uma velhice bem sucedida.

Culturalmente, até agora apostou-se mais no intelecto, no racional e na tecnologia; tudo isso disparou na frente, gerando um falso desenvolvimento, o qual deixou para trás os sentimentos, as emoções e a espiritualidade.

O cérebro emocional, ou sistema límbico, recebe todas as suas imagens como um desejo a ser alcançado. Se você fala coisas positivas, mas as imagina negativas, ele te responde negativamente e ás vezes até com doenças, as famosas doenças psicossomáticas, originadas de problemas emocionais.

Na velhice, surgem vários fatores que desequilibram a inteligência emocional: emoções e sentimentos recolhidos e não expressos, tais como: raiva, medo, rancor, dificuldade de se relacionarem na família e na sociedade, baixa autoestima, falta de motivação; o medo mais presente em várias áreas como: medo de envelhecer, de ficar doente, da solidão, da morte, do ócio, das perdas, etc. Há a presença do negativismo, da depressão, do ambiente físico, cultural e psicológico desestimulante, falta de entusiasmo e de estímulos a sua criatividade e inteligência, alterações físicas que refletem no emocional, inúmeros preconceitos ao seu redor, carência de amor, afeto, etc.

Adicionado a todos esses fatores, os idosos tem que aprender a se desfazer de velhos costumes, hábitos e comportamentos e enxergar a vida por um outro prisma.

O processo de envelhecimento requer um bom nível de inteligência emocional, pois o idoso precisa aprender a adaptar-se às mudanças provenientes dessa fase da vida, minimizando as perdas e otimizando sua vida, envelhecendo feliz e saudável. A motivação, a perseverança e a coragem estão ligadas diretamente ao sistema límbico, que é o responsável pelas emoções, o qual bem estimulado dará respostas positivas ao idoso.

Viva suas próprias emoções: sejam elas boas ou más! A pessoa equilibrada sabe vivenciá-las em sua plenitude, trazendo para si uma extraordinária capacidade de extrair prazer da vida. A pessoa que mais se aproximar e lidar positivamente com as boas emoções, tais como: amor, alegria, amizade, prazer, etc., e resolver conflitos internos vindos de emoções negativas, não se deixando dominar, com o passar do tempo, aprimorará cada vez mais a habilidade de conhecer a si e aos outros.