Piscamentos excessivos: blefaroespasmo e espasmo hemifacial

Postado em: 13.01.2016
Autor: Dr. Glauber Ferreira, médico neurologista na Clínica da Memória.

Autor: Dr. Glauber Ferreira, médico neurologista na Clínica da Memória.

 

Piscamentos excessivos são provocados por contrações (espasmos) musculares involuntários no rosto e nas pálpebras. Quando os espasmos ocorrem somente nas pálpebras chamamos o problema de blefaroespasmo (blefaro quer dizer pálpebras). Os sintomas da doença são um aumento da frequência dos piscamentos, contração involuntária das pálpebras e dificuldade de abrir os olhos.

Em casos mais graves pode haver cegueira funcional, ou seja, apesar de enxergar bem, a pessoa não consegue abrir os olhos e fica, para todos os efeitos, cega. A luminosidade aumenta os sintomas, assim como ansiedade. O blefaroespasmo é um tipo de distonia, que é um termo médico para uma contração muscular sustentada e involuntária.

E alguns casos, esse tipo de distonia envolve outros músculos do rosto e a pessoa pode fazer “caretas” junto com os piscamentos.

 

 

 

blefaroespasmo

 

 

Outra causa de piscamento excessivo é o espasmo hemifacial (que quer dizer meia face). Nesse caso os movimentos involuntários são de um lado só do rosto. A outra diferença é que o rosto e a boca são quase sempre envolvidos. Em algumas casos esses espasmos involuntários provocam constrangimento quando outras pessoas interpretam o movimento como alguma forma de gracejo. A causa do espasmo hemifacial é uma doença do nervo facial, que é o nervo responsável por todo o movimento do rosto. A causa é geralmente um conflito entre o nervo e algum vaso sanguíneo. Assim como no blefaroespasmo, ansiedade e luz forte podem acentuar os sintomas.

Comprimidos tem pouca eficácia no tratamento do blefaroespasmo e do espasmo hemifacial. Nesses casos é indicado a injeção de toxina botulínica (Botox ®, Dysport®, Xeomin®) nos músculos do rosto. O resultado costuma ser muito bom, porém a melhora é temporária, sendo necessário a repetição do procedimento em 3 a 4 meses para manutenção dos resultados. A maioria das pessoas conhece o uso da toxina botulínica na estética, mas o uso terapêutico da toxina ainda é pouco conhecido. A injeção de toxina botulínica está previsto no rol de procedimentos da ANS, o que significa que as operadoras de saúde tem obrigação de oferecer cobertura para esse tipo de tratamento.